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A cultura da manutenção

Atualizado: 31 de out. de 2023

Infelizmente é generalizado o cuidado precário na manutenção dos imóveis e bens patrimoniais no Brasil.


foto: da Internet / Facebook Marcenaria Araújo - o novo monumento construído totalmente.
Quem nunca viu um prédio histórico caindo aos pedaços, interditado, ou até tendo que ser demolido por questões de segurança? Não são poucas evidências, nem mesmo se trata apenas de conservação de prédios e outros bens públicos, mas, em geral, no Brasil grande parte da população deixa que o patrimônio fique em situação precária, para tomar a iniciativa de reformar. É muito mais barato reforçar a proteção de uma madeira enquanto nela estiverem presentes o material original aplicado no tratamento e na impermeabilização. O texto a seguir aborda um estudo sobre o assunto, que é mundial, já que a preservação da história não é pontual; as diretrizes podem ser aplicadas em qualquer nível. Em Cunha podemos citar uma série de lugares nessa condição. Um deles é o monumento do Alto do Cruzeiro.

Atual estado de conservação após 3 anos


Istalação em outubro de 2019

Texto: Maria Teresa Barbosa / Bárbara Moura Dias Silva / Cláudia Valéria Gávio Coura

A preservação do patrimônio de edifícios histórico-culturais encontra atualmente uma série de obstáculos decorrentes da escassez de recursos e da ausência de investimentos nos serviços de manutenção. Entretanto, é notório que a restauração e a conservação possibilitam a transmissão às gerações futuras dos valores culturais de uma determinada sociedade, tornando-se imprescindíveis as ações de preservação do patrimônio histórico.
Tanto os edifícios novos quanto os antigos requerem cuidados que limitem a deterioração que comprometem as propriedades dos materiais e componentes e, consequentemente, a vida útil das edificações. No caso dos edifícios históricos, a principal diferença de um modelo de gestão de manutenção fundamenta-se na impossibilidade de substituição de elementos devido a questões da autenticidade e do valor histórico.
foto: Facebook Memória Cunhense - na foto P&B é o monumento antigo, mas se observarmos bem, parece um retrato atual do novo instalado recentemente, sem manutenção.
Neste contexto, abordagens eficientes de gestão de manutenção são essenciais para aumentar a vida útil dos edifícios históricos, evitando-se danos aos valores patrimoniais dos imóveis. Conforme o IcomosConselho Internacional de Monumentos e Sítios, a adoção de um programa de manutenção preventiva pode limitar a necessidade de uma intervenção posterior e é uma prática essencial, pois embora a prevenção ou redução da velocidade de alteração seja difícil, é habitualmente mais complicado, ou mesmo impossível, recuperar as propriedades perdidas dos materiais.
Neste contexto, abordagens eficientes de gestão de manutenção são essenciais para aumentar a vida útil dos edifícios históricos, evitando-se danos aos valores patrimoniais dos imóveis. Conforme o Icomos, a adoção de um programa de manutenção preventiva pode limitar a necessidade de uma intervenção posterior e é uma prática essencial, pois embora a prevenção ou redução da velocidade de alteração seja difícil, é habitualmente mais complicado, ou mesmo impossível, recuperar as propriedades perdidas dos materiais.
No início da década de 1970 já existiam recomendações da Organização das Nações Unidas no que se refere a adoção de abordagem preventiva às políticas patrimoniais, isto é, os Estados-membros deveriam efetuar a manutenção cuidadosa e constante do seu patrimônio cultural e natural, evitando a utilização de recursos em trabalhos onerosos, destacando-se a necessidade de programar uma fiscalização regular dos bens, mediante inspeções periódicas.
A importância da adoção de um programa de manutenção preventiva para edifícios históricos também é explícita nas cartas patrimoniais, sendo documentos que reúnem diretrizes e recomendações internacionais para as práticas de conservação, manutenção e utilização dos bens culturais.
O primeiro documento elaborado, a Carta de Atenas (1931) ressaltou a importância da “adoção de um sistema de manutenção regular e permanente, apropriada para assegurar a preservação dos edifícios” e menciona que a restauração deve ser uma operação de caráter excepcional, realizada nos casos indispensáveis, devido à deterioração ou destruição do bem. Tais afirmações são reforçadas por outros documentos, como a Carta de Veneza (1964), a Carta do Restauro (1972), a Declaração de Amsterdã (1975) e Carta de Burra (1980).
Contraditório ao crescente interesse pela conservação preventiva do patrimônio edificado, no Brasil, constata-se a dissociação dos projetos de conservação dos edifícios históricos das ações periódicas e contínuas da gestão e da manutenção da edificação.
Cabe mencionar que nas conjunturas onde não existe nenhum tipos de intervenção em edifícios, após se atingir um determinado patamar de degradação pode-se tornar inviável a utilização de ações de manutenção que visem arrevesar o processo de degradação, recorrendo-se então a processos de restauração e reabilitação. Tal procedimento deve ser evitado ao máximo no caso dos edifícios históricos, onde o objetivo não é substituir os elementos, mas sim preservá-los.



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